Cidadania na Itália - Legislação

09.05.2016

 

Na Itália, os comuni (prefeituras) seguem a Portaria k-28 (legislação italiana), que descreve todo o procedimento que o oficial deve seguir para a obtenção da cidadania italiana na terra da pizza.

 

Leia a seguir a Portaria k-28 com tradução livre :)

 

DIRETRIZ GERAL PARA A ADMINISTRAÇÃO GERAL

E PARA OS ASSUNTOS DE PESSOAL

Serviço de Cidadania, Assuntos Especiais e Patrimoniais

Divisão de Cidadania

 

ROMA, 8/4/1991

 

Prot. N. K.28.1

 

OBJETO: Reconhecimento da posse do status civitatis italiano aos cidadãos estrangeiros de origem italiana.

 

É possível constatar como são cada vez mais numerosas as solicitações de esclarecimentos acerca dos procedimentos que devem ser adotados com o objetivo de definir a situação da cidadania de pessoas provenientes de Países estrangeiros (em especial modo da Argentina, mas também do Brasil ou dos Estados Unidos), e titulares de passaporte estrangeiro, as quais reivindicam a titularidade do status civitatis italiano.

 

Como é conhecido, de fato, pela contemporânea operatividade das disposições dos artigos 1 e 7 da lei n. 555 de 13 de junho de 1912, combinadas com as disposições vigentes em matéria de cidadania de numerosos Países estrangeiros de antiga emigração italiana (por exemplo, todos os Países do continente americano, a Austrália, etc.) que atribuem o “iure soli” para o status civitatis, a prole nascida no território do País de emigração (Argentina, Brasil, Uruguai, Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Venezuela, etc), de pai cidadão italiano, adquiria desde o nascimento, a posse, tanto da cidadania italiana (por via paterna), quanto da cidadania do País de nascimento, permanecendo na condição de bipátrida, mesmo no caso em que o pai, durante a minoridade, mudasse a sua cidadania naturalizando-se estrangeiro.

 

Com o passar do tempo, também os cidadãos nascidos em País estrangeiro que atribui a cidadania “iure soli” e reconhecidos por pai cidadão ou cuja paternidade tenha sido declarada judicialmente, restam na mesma situação de dupla cidadania.

 

Disso resulta a concreta possibilidade que os descendentes de segunda, terceira, quarta e demais gerações dos nossos emigrados, sejam investidos da cidadania italiana.

 

Tal possibilidade foi ainda mais extendida para os membros de famílias de antiga orgiem italiana, os quais tenham nascido após o dia 1º de janeiro de 1948, porquanto, a partir de tal data, devem ser considerados, segundo o conteúdo da sentença n. 30 de 9 de fevereiro de 1983 da Corte Constitucional, cidadãos italianos, também os filhos nascidos de mãe em posse da cidadania italiana, na época do seu nascimento, ou mesmo reconhecidos pela mãe ou cuja maternidade tenha sido judicialmente declarada.

 

Por conseguinte, mesmo os descendentes de nossa emigrante ou de filha de nosso emigrante são também considerados cidadãos italianos “iure sanguinis” de derivação materna, desde que nascidos após o dia 1º de janeiro de 1948, data da entrada em vigor da Constituição republicana. Faz-se todavia necessário esclarecer que o reconhecimento da posse do status civitatis italiano a tal categoria de pessoas deve ser subordinado à verificação de determinadas condições e à documentada certificação de algumas circunstâncias essenciais.

 

 

A) Condições preliminares para o reconhecimento da cidadania italiana.

 

Antes de tudo, é necessário esclarecer que, tendo a eventual posse do status civitatis italiano certificada pelo Prefeito do Município Italiano de residência, poderá ser iniciado o respectivo procedimento a partir de requerimento dos interessados, somente onde estes estejam inscritos no cadastro da população residente de um Município italiano.

 

Portanto, a inscrição cadastral destas pessoas, que entraram na Itália com passaporte estrangeiro, deve seguir as diretrizes que disciplinam a inscrição no cadastro da população residente dos estrangeiros, e pressupõe, por parte dos interessados, o cumprimento das exigências das disposições vigentes em matéria. Acrescenta-se, ainda, que no caso da inscrição cadastral de tais pessoas não seja possibilitada devido a que eles não possam ser incluídos entre a população residente segundo o entendimento presente no art. 3 do Decreto Presidencial n. 123 de 30 de maio de 1989, o procedimento de reconhecimento da posse do status civitatis italiano deverá ser realizado, mediante requerimento específico, pela Representação consular italiana competente em relação à localidade estrangeira de residência habitual dos sujeitos que reivindicam a titularidade da cidadania italiana.

 

B) Procedimento para o reconhecimento da cidadania italiana.

 

As solicitações de reconhecimento da cidadania italiana com base no art. 1 da Lei n. 555 de 13 de junho de 1912, deverão ser encaminhadas ao Prefeito do Município italiano de residência, ou então para o Consulado italiano no âmbito da circunscrição consular na qual resida o requerente estrangeiro de origem italiana.

 

As mesmas deverão ser acompanhadas da seguinte documentação:

 

  1. certidão de nascimento do antepassado italiano emigrado ao exterior, emitido pelo Município italiano onde ele nasceu;

  2. certidões de nascimento, acompanhadas de tradução oficial italiana, de todos os seus descendentes em linha reta, inclusive aquele da pessoa requerente da posse da cidadania italiana;

  3. certidão de casamento do antepassado emigrado no exterior, acompanhada da tradução oficial italiana, se realizado no exterior;

  4. certidões de casamento dos seus descendentes, em linha reta, inclusive aquelas dos pais da pessoa requerente da posse da cidadania italiana;

  5. certidão emitida pelas Autoridades do País estrangeiro de emigração, acompanhada da tradução oficial em língua italiana, que ateste que o antepassado italiano, na sua época emigrado da Itália, não adquiriu a cidadania do País estrangeiro de emigração, anteriormente ao nascimento do ascendente do interessado;

  6. certidão emitida pela Autoridade consular italiana, que certifique que nem os ascendentes em linha reta, nem a pessoa requerente da posse da cidadania italiana, a tenha jamais renunciado nos termos do art. 7 da lei n. 555 de 13 de junho de 1912;

  7. certidão de residência.

 

 

Especifica-se que o requerimento apresentado na Itália deverá ser redigido em documento legal e que as certidões anexadas à mesma, quando emitidas na Itália pelas Autoridades italianas, deverão ser produzidas em conformidade com as disposições vigentes em matéria de selo.

 

 

As certidões emitidas pelas Autoridades estrangeiras deverão ser redigidas em papel simples, e oportunamente legalizadas, salvo quando não seja prevista isenção da legalização com base nas convenções internacionais ratificadas pela Itália. Os documentos deverão ser acompanhados de tradução oficial em língua italiana, a qual, se os mesmos forem apresentados na Itália, deverá ser redigida em papel com selo.

 

 

Informa-se ainda que, com o objetivo de poder certificar em modo completo o não exercício, por parte dos sujeitos requerentes da posse da cidadania italiana, da faculdade de renunciá-la, com base no art. 7 da referida lei n. 555/1912, torna-se necessário, por um lado, realizar as adequadas pesquisas junto ao Município italiano de origem ou de última residência do antepassado italiano emigrado no exterior, ou mesmo junto ao Município de Roma e, por outro lado, contatar diretamente todas as Representações consulares italianas competentes para as várias localidades estrangeiras onde o indivíduo em questão tenha residido ou, se for o caso, consultar eventualmente o Ministério das Relações Exteriores – Direção Geral de Emigração e dos Assuntos Sociais – Ofício VIII, para que interpelem os funcionários das Representações Consulares envolvidas.

 

 

Os Senhores Prefeitos, após verificar a fundamentação da pretensão dos requerentes para a atribuição “iure sanguinis” da cidadania italiana, providenciarão a transcrição das certidões de registro civil referentes aos cidadãos reconhecidos como nossos compatriotas e poderão proceder à emissão da específica certificação de cidadania, bem como aos outros conseqüentes incumbidos de competência.

 

 

Os Senhores Prefeitos deverão, finalmente, comunicar as determinações tomadas às Autoridades Policiais e a este Ministério.

 

 

No caso em que, ao contrário, surgissem dúvidas a respeito da efetiva situação de cidadania dos requerentes do nosso status civitatis, os Senhores Prefeitos são convidados a advertir este Ministério, transmitindo a respectiva documentação.

 

 

Pede-se a divulgação das oportunas instruções aos Prefeitos dos Municípios da Província e o fornecimento de apoio.

 

 

O MINISTRO,

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